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Psicoterapia de casal

Terapia de casal quando só um dos dois quer ir

É a situação mais comum de todas — e não é beco sem saída. O que dá para fazer quando o outro diz não.

Escrito pela equipe do Instituto Ser, em Suzano — SP.
Jéssica Marinho Vilela · Psicóloga · CRP 06/213353
Rosana Yamamoto · Psicóloga e neuropsicóloga · CRP 06/111030
Fernanda Sayuri · Nutricionista · CRN-3 58729

Publicado em

Tem uma cena que se repete: uma pessoa pesquisa “terapia de casal”, lê tudo, escolhe a psicóloga, e para na hora de mandar a mensagem. Não por dúvida sobre a terapia — por saber o que o outro vai dizer. “Eu não preciso disso.” “Terapia é para quem tem problema.” “Vai lá você.”

Este texto é para quem está nesse ponto. Não tem truque para convencer ninguém. Tem o que costuma funcionar e o que costuma piorar.

Por que o outro diz não

Vale entender antes de insistir. As recusas mais comuns são parecidas por baixo:

  • “Não preciso.” Muitas vezes quer dizer “se eu aceitar, estou admitindo que a culpa é minha”. A pessoa ouve “terapia de casal” como “você é o problema”.
  • “Não acredito nisso.” Pode ser desconfiança real — ou medo de sentar numa sala e ser julgado por dois, a psicóloga e o parceiro.
  • “Não tenho tempo / não tenho dinheiro.” Às vezes é verdade. Às vezes é o jeito mais fácil de dizer não sem discutir.
  • “Se está tão ruim assim, separa.” É o não mais duro, e o mais assustador. Mas quase nunca é uma decisão — é uma defesa.

Nenhuma dessas respostas é o fim da conversa. São o começo dela.

O que costuma piorar

Três movimentos que parecem lógicos e têm efeito contrário:

  1. Ultimato. “Ou a gente faz terapia ou acabou.” Se a pessoa vai, vai obrigada — e terapia com alguém que está ali para provar que não precisava estar não anda. Se não vai, o ultimato vira a nova briga.
  2. Diagnóstico. “Você precisa de terapia.” Ninguém quer ouvir isso, e quem ouve tende a rebater com o mesmo. A conversa vira disputa de quem é mais doente.
  3. Chantagem com os filhos, com a família, com o que os outros vão pensar. Funciona no curto prazo e cobra caro depois.

O que costuma ajudar

Mudar o sujeito da frase. Em vez de “você precisa”, “eu não estou conseguindo sozinha”. Em vez de “a gente tem problema”, “eu queria que a gente conversasse com alguém de fora, porque entre nós dois a conversa sempre acaba no mesmo lugar”. A diferença não é de educação — é de onde a culpa fica. Quando ninguém é acusado, é mais fácil dizer sim.

Reduzir o compromisso. “Vamos numa conversa só. Se você odiar, não voltamos.” É verdade — a primeira sessão não obriga a nada — e tira o peso de “estamos entrando em tratamento”.

Deixar o outro escolher. Quem pesquisou tende a chegar com a psicóloga escolhida. Oferecer a escolha (“olha o site, vê se você acha que faz sentido”) devolve alguma autonomia a quem está desconfiado.

Esperar. Nem toda recusa é definitiva. Muita gente diz não em janeiro e diz “tá, vamos” em abril, depois de mais uma briga igual. Deixar a porta aberta sem cobrar costuma funcionar melhor do que fechar o assunto.

E se continuar sendo não

Aí a pergunta muda: o que eu faço com isso?

A resposta mais honesta é: começar sozinha. Terapia individual não é terapia de casal, mas trabalha a parte da relação que a pessoa carrega — o que ela faz quando se sente rejeitada, o que ela espera e não diz, o que ela aceita e não aceita, o que ela quer.

Três coisas costumam acontecer quando um dos dois começa sozinho:

  • A relação muda mesmo assim. Padrão de casal precisa de dois para se sustentar. Quando um sai da coreografia — para de cobrar, para de perseguir, para de ceder —, o outro precisa fazer algo diferente também.
  • O outro passa a querer ir. Não é raro. Ver alguém mudar de perto desperta curiosidade, e às vezes a percepção de que dá para conversar sem virar briga.
  • A pessoa esclarece o que quer. Nem sempre a resposta é ficar. Terapia individual não decide isso por ninguém — mas ajuda a decidir com clareza em vez de por cansaço.

O que a psicóloga não vai fazer

Não vai ligar para o outro. Não vai dar dever de casa para “levar” ao parceiro. Não vai dizer se a relação vale a pena. O trabalho é com quem está na sala — e isso é suficiente para muita coisa mudar.

Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individual. Em situações de violência dentro da relação, a terapia de casal não é indicada como primeira medida; procure a Central de Atendimento à Mulher (ligue 180) ou o serviço de proteção mais próximo.

Existe um lugar para essa conversa

No Instituto Ser, em Suzano, dá para começar pela terapia individual e, se o outro quiser vir depois, a conversa de casal acontece com uma das psicólogas da casa — presencial ou online. A primeira mensagem é pelo WhatsApp, sem formulário e sem cadastro.

Jéssica Marinho Vilela — Psicóloga — CRP 06/213353 Rosana Yamamoto — Psicóloga e neuropsicóloga — CRP 06/111030

Leia também: Terapia de casal funciona? O que acontece nas primeiras sessões · Procurar um psicólogo: como saber se é hora.