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Psicoterapia

Terapia online funciona tão bem quanto presencial?

O que a pesquisa diz, o que a regra do CFP exige, e para quem cada formato faz mais sentido — sem torcida para nenhum lado.

Escrito pela equipe do Instituto Ser, em Suzano — SP.
Jéssica Marinho Vilela · Psicóloga · CRP 06/213353
Rosana Yamamoto · Psicóloga e neuropsicóloga · CRP 06/111030
Fernanda Sayuri · Nutricionista · CRN-3 58729

Publicado em

Tem gente que só conseguiu começar terapia porque existia a opção online — mora longe, trabalha em horário difícil, tem filho pequeno, não tem carro. E tem gente que tentou online, não gostou, e só engrenou quando sentou numa sala. Os dois estão certos. A pergunta “funciona?” tem resposta; a pergunta “é para mim?” tem outra.

O que a pesquisa diz

Terapia por vídeo é estudada há mais de vinte anos, e o volume de pesquisa cresceu muito depois de 2020. Revisões que comparam psicoterapia por vídeo com psicoterapia presencial, para as mesmas queixas e com as mesmas abordagens, apontam resultados equivalentes: a melhora relatada e a satisfação com o processo não diferem de forma consistente entre os dois formatos.

Isso não quer dizer que sejam iguais em tudo. Quer dizer que o formato, sozinho, não é o que decide o resultado. O que decide é a relação entre a pessoa e a psicóloga, a adequação da abordagem à queixa, e a continuidade.

O que a regra exige

No Brasil, o atendimento psicológico online é regulamentado pelo Conselho Federal de Psicologia pela Resolução CFP nº 09/2024, que substituiu as regras anteriores. Em resumo, o que ela estabelece:

  • É a psicóloga quem avalia se o atendimento online é adequado para aquela pessoa e aquela queixa, com base em evidência e no caso concreto. Há situações em que não é indicado — crise aguda, risco à vida, condições que exigem presença — e nesses casos ela orienta o caminho presencial.
  • O sigilo vale igual. A psicóloga é responsável por usar meios que protejam a confidencialidade da sessão.
  • A pessoa atendida também tem uma parte: estar num lugar reservado, com privacidade, durante a sessão.

O CRP da psicóloga vale para atendimento online em todo o território nacional. Não existe “registro especial” para online.

Para quem o online costuma fazer mais sentido

  • Quem mora longe do consultório — Mogi, Arujá, Itaquá, ou outra cidade, outro estado.
  • Quem tem horário de trabalho que não cabe no expediente comum.
  • Quem tem filho pequeno e não tem com quem deixar.
  • Quem tem dificuldade de deslocamento por saúde, por mobilidade, por medo de sair.
  • Quem viaja muito e precisa de continuidade.
  • Quem, simplesmente, se sente mais à vontade na própria casa.

Para quem o presencial costuma fazer mais sentido

  • Quem não tem em casa um cômodo com porta que feche e meia hora garantida de sossego.
  • Quem quer que a terapia seja um lugar — sair, ir até lá, voltar — e não mais uma janela no computador.
  • Quem tem dificuldade de se concentrar em tela, ou se sente “conversando com a própria imagem”.
  • Quem está passando por um momento agudo, em que a presença faz diferença.
  • Casais, em alguns casos: estar na mesma sala com a psicóloga muda a dinâmica, e há casais que preferem isso.

O que muda, na prática

Algumas diferenças honestas:

O que se perde no online: parte da leitura de corpo — postura, mãos, respiração. Uma boa psicóloga compensa perguntando mais, mas é diferente. E o ritual de ir até lá, que para algumas pessoas é parte do cuidado.

O que se ganha no online: tempo — não há deslocamento. Continuidade — a sessão acontece mesmo na semana em que a pessoa viajou, o carro quebrou, choveu. E acesso — para muita gente, a diferença não é entre online e presencial; é entre online e nada.

O que não muda: o sigilo, a duração, a frequência, o processo. A sessão online não é uma versão resumida; é a mesma sessão, por outro meio.

Dá para alternar?

Dá, e é comum. Tem gente que começa online porque é mais fácil dar o primeiro passo, e migra para o presencial quando se sente à vontade. Tem gente que faz o contrário numa fase corrida. O que se pede é combinar com a psicóloga — não trocar de formato sem avisar, porque a preparação de cada sessão é diferente.

Como preparar uma sessão online

Coisas simples que fazem diferença:

  • Um cômodo com porta, e alguém avisado de que não é para entrar.
  • Fone de ouvido. Protege o sigilo e melhora o som.
  • Celular no silencioso, notificações fechadas.
  • Cinco minutos antes, sem estar terminando outra coisa. A sessão começa quando a pessoa chega, não quando a câmera liga.

A resposta, então

Funciona. Não é “quase igual” — é igual no que importa. O que decide não é o formato; é se a pessoa vai conseguir sustentar aquele formato semana após semana. Quem tem dúvida pode começar por um e mudar.

Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional individual. Em situação de crise ou risco, procure atendimento presencial de urgência ou o CVV (ligue 188, gratuito, 24 horas).

Existe um lugar para essa conversa

No Instituto Ser, o atendimento é presencial em Suzano ou online — a escolha é de quem procura, e pode mudar ao longo do caminho. No online há horários fora do expediente. A primeira conversa é pelo WhatsApp, sem formulário e sem cadastro.

Jéssica Marinho Vilela — Psicóloga — CRP 06/213353 Rosana Yamamoto — Psicóloga e neuropsicóloga — CRP 06/111030

Referências: Conselho Federal de Psicologia — Resolução CFP nº 09/2024, que regulamenta o exercício profissional da Psicologia mediado por tecnologias digitais · Fernandez, E., Woldgabreal, Y., Day, A., Pham, T., Gleich, B., & Aboujaoude, E. (2021). Live psychotherapy by video versus in-person: A meta-analysis of efficacy and its relationship to types and targets of treatment. Clinical Psychology & Psychotherapy, 28(6), 1535–1549.